"- Custa-me admitir mas estou com saudades de uma sopa quentinha!"
Esta foi a frase que me fez sorrir à hora do jantar, pronunciada pelo meu filho mais novo, acabadinho de chegar de um acampamento de escoteiros. Os mais cépticos, acreditem, é possível uma criança de 10 anos ter saudades de uma sopa quentinha.
E por falar em saudades, quem já tem saudades de uma filhó quentinha, acabadinha de fritar, polvilhada com açúcar e canela, sou eu... O ritual de amassar as filhós, esperar que "cresçam", estendê-las fininhas com o rolo da massa e finalmente fritá-las está programado para o próximo fim de semana. Cá em casa é assim que se fazem e levam massa de pão fresca, abóbora, sumo de laranja, azeite, aguardente, um pouco de açúcar, ovos, fermento de padeiro e farinha.
As filhós são uma das 3 a 4 vezes que faço fritos num ano. Por norma não faço, procuro confecionar os alimentos de outra maneira pois quando se vai comer fora lá vêm as "originais" batatas fritas como acompanhamento, esgotando a quota dos fritos.
No entanto, gosto imenso de pasteis de bacalhau e de pataniscas também de bacalhau o que me levou a adaptar uma receita e a fazer uns queques de bacalhau que se posicionam algures entre os pasteis e as pataniscas. Podem não ser exatamente idênticos aos originais mas têm muito menos gordura e podemos incluí-los nas refeições com mais frequência.
Queques de bacalhau:
500 g de bacalhau desfiado e congelado, 1 pacote (200 ml) de natas com baixo teor de gordura ou natas vegetais, 4 ovos, salsa picadinha, sal e pimenta q.b.
Cozer o bacalhau em água escorrê-lo e desfiá-lo bem para uma taça. Adicionar os ovos, as natas e a salsa, temperar com sal (atenção ao sal que o bacalhau já tem) e pimenta. Bater tudo muito bem com vara de arames. Untar formas de queque (costumo usar um spray para untar tornando esta tarefa muito rápida e prática, este spray costuma estar disponível nos supermercados junto às farinhas, não é muito barato mas dá para tantas vezes e é tão prático que compensa). Colocar o preparado dentro das formas, podem ficar relativamente cheias como se pode ver na fotografia.
Levar ao forno previamente aquecido a 180ºC cerca de 20 a 30 minutos.
Servir quentes ou frios com arroz de ervilhas e cenoura e uma salada verde.
E para começarem a pensar nas ementas de Natal deixo um link para o sítio da Associação Portuguesa de Nutricionistas que apresenta 3 e-books com sugestões de refeições saudáveis sem perder o "sabor" natalício.
http://www.apn.org.pt/scid/webApn/defaultArticleViewOne.asp?articleID=1092&categoryID=873
Inspire-se e tenha um Natal saudável.
Quando se fala em pequeno-almoço a primeira palavra que me ocorre é OBRIGATÓRIO. Esta primeira refeição do dia é absolutamente imprescindível quer para os adultos quer para as crianças e não imaginam o número de pessoas que saltam esta refeição. Após uma noite de sono, o nosso organismo consumiu todas as reservas que tinha no funcionamento dos órgãos que continuaram a trabalhar enquanto dormimos. De manhã está carente em todos os nutrientes e necessita de iniciar um novo dia de trabalho, quer físico, quer intelectual, daí a necessidade imperiosa desta primeira refeição.
Devem fazer parte do pequeno almoço os seguintes alimentos:
- Água: um copo de água logo de manhã é um bom começo já que vai ajudar as eliminar as substâncias tóxicas que o organismo acumulou durante a noite;
- Laticíneos: pode optar por um copo de leite ou um iogurte sem adição de açúcar ou 2 fatias de queijo;
- Hidratos de carbono: pão, de preferência integral ou de mistura com queijo ou fiambre magros ou cereais pequeno almoço tendo em atenção a quantidade de açúcares que contêm.
- Fruta: 1 peça de fruta é fundamental para repor as vitaminas, sais minerais e fibras.
Estão certamente a pensar como vão comer tudo isto logo de manhã! A peça de fruta pode ser "empurrada" para um lanche a meio da manhã, os restantes alimentos devem ser introduzidos gradualmente com persistência e paciência.
Dicas:
- O pequeno almoço começa no dia anterior; se todos se deitarem 10 minutos mais cedo, quer dizer que também vão acordar 10 minutos mais cedo, dispondo deste tempo para o pequeno almoço.
- Ter sempre congelados pequenos pães ou fatias de pão integral ou de mistura; em 15 minutos este pão descongela e está pronto a consumir.
- Preparar a mesa do pequeno almoço de véspera vai ajudar a não sair de casa em jejum.
- Não comer todos os dias o mesmo pequeno almoço. Como as outras refeições, é preciso variar os alimentos e não deixar que esta refeição tão importante seja monótona e repetitiva.
Se o intervalo entre o pequeno almoço e o almoço for superior a 4 horas deve fazer um pequeno lanche a meio da manhã. Para as crianças é fundamental reporem energias no intervalo das aulas. Falaremos dos alimentos proibidos nesta pequena refeição no próximo post. Por hoje deixo a receita da massinha de peixe que, esta semana foi feita para o jantar de 2ª feira e que ao almoço de 4ª feira estava igualmente deliciosa.
Massinha de Peixe:
Picar finamente uma cebola média e dois dentes de alho, colocar num tacho com 30 ml de azeite e levar ao lume adicionando um pouco de água para que a cebola coza em vez de fritar. Quando a cebola estiver translúcida acrescentar 250 ml de polpa de tomate e deixar cozer durante cerca de 5 minutos. Temperar com sal, pimenta e um pouco de piri-piri (conforme o gosto). Acrescentar cerca de 250 ml de água e quando recomeçar a ferver acrescentar o peixe partido em cubos (costumo usar tranches de garoupa ou de perca do Nilo congeladas que deixo previamente descongelar). Deixar cozer o peixe cerca de 5 minutos. Adicionar ainda 250 g de miolo de camarão quando faltar 2 minutos para o final da cozedura do peixe (opcional) e coentros picados.
À parte cozer massa não muito grossa (costumo fazer com cotovelinhos) em água abundante temperada com sal. Deixar a massa "al dente". Escorrer e regar com um fio de azeite para não colar.
A preparação do peixe pode ser feita com antecedência assim como a cozedura da massa e guardadas separadamente no frigorífico. Na hora da refeição basta colocar a quantidade necessária do preparado de peixe num tacho, aquecer, adicionar a quantidade de massa adequada, acrescentar água se necessário e retificar os temperos.
Ao almoço, foi rápido obter esta massinha fumegante e aromática
Como referi no post anterior a ementa desta semana já foi feita assim como as compras. Vamos ter:
2ª feira:
Almoço - Pá de porco assada no forno com arroz branco e esparregado de espinafres (a carne foi assada no domingo, o arroz e o esparregado foram feitos para o almoço de domingo em dose dupla)
Jantar - Massinha de peixe
3ª feira:
Almoço - Arroz de pato (foi feito 2ª feira ao jantar)
Jantar - Queques de bacalhau com brócolos gratinados.
4ª feira:
Almoço - Massinha de peixe
Jantar - Bifinhos de perú com sopa de cebola e puré de batata
5ª feira:
Almoço - Arroz de pato
Jantar - Salmão grelhado com batatinhas "noisettes" e legumes estufados
6ª feira:
Almoço - Queques de bacalhau com brócolos gratinados
Jantar - Há restinhos de várias refeições, dia livre, cada um escolhe o que lhe apetecer.
Também já há uma alface lavada e arranjadinha, à qual escorri muito bem a água naquelas centrífugas próprias para salada, e que guardei num saco de plástico para alimentos retirando o mais possível o ar. Comprei igualmente uma embalagem de rúcula já pronta a consumir. É só compor o prato com alface e/ou rúcula e temperar. A sopa vai-se fazendo ao longo da semana sempre que faz falta o que significa 3 a 4 sopas semanalmente e a fruteira está a abarrotar de fruta.
Faltam as receitas, eu sei, vou tentar publicá-las rapidamente.
Hoje ao jantar vai ser sopa de legumes
(não desistam, eles lá no fundo sabem que precisam da sopa para serem saudáveis e que gostam deles quando os obrigam a comê-la)
e um prato, ideal para um jantar de domingo, que fiz há umas semanas e que os "índios" cá de casa me pediram para repetir hoje.
Ovos no forno com fiambre e queijo:
(por pessoa)
Unte uma forminha (ramequim) com um pouco de azeite. Coloque no fundo uma fatia de fiambre cortada em tirinhas finas ou cubos. Abra um ovo e coloque-o sobre o fiambre. Tempere com um pouco de sal e pimenta. Coloque queijo mozarella sobre o ovo de forma a não tapar a gema (cerca de 50g) e termine com cerca de 40 ml de leite. Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC durante cerca de 10-15 minutos. Os ovos devem ficar com a clara cozinhada e a gema ainda cremosa. Sirva com tiras de pão torrado.
(adaptado do blogue "As minhas receitas")
Sexta feira à noite ou, quando o cansaço já não permite, sábado de manhã, tenho o hábito de me sentar com o meu caderninho das tarefas e programar as refeições da semana que está prestes a começar. Nem sempre o fiz mas cheguei à conclusão que os 10/15 minutos que demoro a fazer este trabalho me poupa o stress diário de sair do emprego ao fim da tarde a pensar "E o que é que vou fazer hoje para o jantar? Passo no supermercado e compro qualquer coisa? Tenho lá todos os ingredientes para fazer (...)? Devia ter deixado (...) a descongelar!"
Não sou muito rígida com a programação das refeições, se me apetecer mudar alguma refeição não hesito, mas se não quiser pensar mais nisso, é só ver a lista. Tem outra vantagem, como normalmente se fazem as compras no sábado, faço a lista de acordo com as refeições e garanto que não me falta nada à última da hora.
A maioria dos dias almoçamos e jantamos em casa. Ao almoço temos muito pouco tempo, por isso tem de estar tudo pronto a aquecer no microndas. Alguns dias, em que as atividades se prolongam até tarde, também é necessário ter as refeições do jantar mais ou menos adiantadas. Assim, opto por confecionar cada prato de forma a dar para duas refeições e vou intercalando carne e peixe.
De uma forma geral 2 refeições por semana não contam (porque não comemos em casa e/ou faz-se um lanche tardio e já não se faz jantar). Há sempre uma refeição com as várias sobras em que cada um escolhe o que lhe apetecer. Feitas as contas são 11 refeições a programar. Normalmente tento aproximar-me do seguinte:
1 prato de carnes vermelhas - 2 refeições
1 prato de carnes brancas - 2 refeições
2 pratos de peixe - 4 refeições
1 prato de peixe grelhado (para 1 jantar) - 1 refeição
1 prato de ovos - 1 refeição
1 prato vegetariano - 1 refeição
Mas para mim a maior vantagem é conseguir equilibrar melhor a alimentação, variar os alimentos, as texturas, os acompanhamentos e saber que estou a fazer o melhor possível pela saúde da "tribo" cá de casa.
E como o prometido é devido hoje deixo a receita de cuscus que é tão fácil e rápida... Acompanha muito bem um prato de carne.
Cuscus:
Cada marca tem as indicações de preparação mas eu faço sempre da mesma forma. Coloco 1 medida de cuscus numa taça baixa e larga, tipo prato de sopa, adiciono um fio de azeite e mexo com um garfo. Adiciono a mesma medida de água quente, quase a ferver, temperada de sal. Mexo novamente com um garfo e tapo com um prato. Passados 2/3 minutos retiro o prato, a água já deve ter sido toda absorvida e mexo novamente com o garfo para soltar os grãos. Acrescento mais um fio de azeite, hortelã picadinha e sumo de limão. Esta é a receita de cuscus simples à qual poderá juntar azeitonas descaroçadas e partidas às rodelas, milho, pimento, cebola, tomate fresco, tomate seco, o que mais gostar. Estes ingredientes podem ser crus ou ligeiramente salteados num pouco de azeite antes de os juntar ao cuscus.
Se preferir os cuscus simples mostre o seguinte vídeo ao mini-chef aí de casa e peça-lhe que trate da salada.
"- Mãe, e o franguinho?
- O franguinho? Que franguinho?
- Aquele franguinho que eu gosto muito! Ainda não puseste no teu blogue."
Confesso que tenho alguma dificuldade em não me alargar demasiado nas mensagens. Quando começo a escrever sobre um tema, mal dou por isso, já tenho um post enorme. Frequentemente, demoro muito mais tempo a cortar e a escolher o que deixar do que demorei a escrever. A minha preocupação é dizer tudo o que quero e há tanto para dizer!
Tudo isto porque no último post não disse tudo o que queria sobre a carne. As carnes não são todas iguais, há as denominadas carnes vermelhas (vaca, cabrito, borrego, porco) e as carnes brancas (aves e coelho). Nas carnes vermelhas a gordura encontra-se essencialmente na constituição da própria carne, é uma gordura invisível, e dependendo das peças usadas pode chegar a 30% do peso da carne. Já nas carnes brancas a gordura está essencialmente na pele e noutros locais onde é fácil visualizar e remover. As carnes brancas , quando eliminadas das gorduras visíveis, ficam com menos gordura e mesmo a que fica é mais saudável e têm menos colesterol do que a das carnes vermelhas. As carnes vermelhas deveriam ser consumidas 1 a 2 vezes por semana, as restantes refeições seriam de carnes brancas e peixe e pelo menos uma vez por semana uma refeição de ovos.
E para atender ao pedido do meu filho mais novo, aqui fica a receita do franguinho.
Peito de frango com especiarias:
Cortar 2 peitos de frango em tiras. Temperar com sal, pimenta, noz moscada, sumo de um limão, um molho pequenino de mangerona, 3 a 4 pés de hortelã picadinha e um fio de azeite. Deixe a marinar, quanto mais tempo melhor.
Numa frigideira grande ou num wook coloque um fio de azeite aqueça um pouco e acrescente o frango e a marinada. Deixe cozer até estar macio.
Pode acompanhar com vegetais estufados e/ou cuscus (a receita destes acompanhamentos fica para um próximo post).
Enquanto fazia o franguinho passou esta música no rádio, mais uma criação portuguesa de qualidade.
Carne ou peixe? Precisamos de ambos e de vez em quando (uma vez por semana) pode ser ovos. Estes alimentos são os fornecedores de proteína, necessários para a construção, reparação e manutenção do nosso organismo. Embora a proteína também exista em abundância nos alimentos de origem vegetal, a proteína de origem animal é mais completa.
A carne é importante porque nos fornece ferro duma forma que o nosso organismo absorve bem. No entanto, a gordura da carne é essencialmente gordura saturada e colesterol prejudicial à saúde das nossas artérias se for consumida em excesso. Devemos pois retirar todas as gorduras visíveis, mesmo assim, fica a gordura "invisível" que se encontra na constituição da própria carne.
O peixe tem menos quantidade de gordura de constituição e quando tem, como é o caso dos peixes gordos, é gordura saudável (ácidos gordos ómega 3).
O peixe é também um ótimo fornecedor de fósforo e a sua proteína não é inferior à da carne. A melhor qualidade da sua gordura fazem do peixe uma escolha mais saudável a preferir às carnes.
O ideal seria alternar uma refeição de peixe e uma de carne o que nem sempre é fácil, principalmente em alguns dias mais preenchidos ou nas refeições do almoço em que é necessário ter tudo quase pronto a ir para a mesa. Por outro lado, de uma forma geral, é sempre mais difícil convencer os mais novos (e mesmo alguns menos novos) a deliciarem-se com uma refeição de peixe do que de carne, o que ainda torna o processo mais difícil.
Esta receita tem dado uma ajuda cá em casa e pode ser preparada com antecedência.
Lombos de pescada com molho de mostarda:
1 embalagem de lombos de pescada congelados, sumo de 1 limão, 100g de cebola, 100g de cenoura, 4 pés de salsa, 30g de azeite, 400ml de leite, 30g de farinha, 1 colher de chá de mostarda, sal q.b., pimenta q.b.
Descongelar os lombos de pescada e temperar com sal e sumo de limão. Num tacho colocar a cebola a cenoura e a salsa previamente picados na picadora. Adicionar o azeite e deixar cozinhar cerca de 5 minutos. Adicionar a farinha mexendo sempre e de seguida o leite em fio mexendo sem parar até o molho ficar com uma consistência cremosa. Acrescentar a mostarda e temperar com sal e pimenta a gosto (não esquecer que os lombos de pescada já foram temperados com sal). Retirar do lume e triturar tudo com a varinha mágica. Deve ficar um molho homogéneo, amarelo e cremoso. Se tiver Bimby, acrescentar a farinha, o leite, a mostarda, o sal e a pimenta de uma só vez e programar 6 min/90ºC/vel 3. No final triturar 30 seg/vel 7.
Colocar os lombos de pescada num pyrex, cobrir com este molho e levar ao forno pré-aquecido a 180ºC durante cerca de 20 minutos ou até ficar dourado na superfície.
Como os mais pequenos vão comer rapidamente aqui fica uma sugestão para fazer antes da hora de deitar:
http://www.youtube.com/watch?v=W8RWpgUdgrw&feature=related
Bons sonhos!
Hoje vão precisar de uma folha de papel, algo que escreva, uma fita métrica e, para ser mais fácil, uma calculadora simples.
Se dividirem o vosso peso em kg pela altura em metros e tornarem a dividir pela altura obtêm um valor que se denomina Índice de Massa Corporal (IMC= P / A / A ). Se este valor se situar entre 18,5 e 24,9 o seu peso é considerado normal, se obtiver um valor entre 25,0 e 29,9 está com excesso de peso, acima de 30,0 é considerado obesidade e abaixo de 18,5 considera-se magreza. Para as crianças e adolescentes até aos 18 anos a avaliação não é tão simples, o melhor será consultar os gráficos do Boletim de Saúde que lhe deram quando ele/ela nasceu e verificar se o crescimento (peso e altura) tem evoluído de acordo com um dos percentis.
A avaliação através do IMC não é muito rigorosa mas é muito simples e conduz a resultados bastante aproximados dos obtidos por outros métodos mais rigorosos.
A simples medida em centímetros do perímetro da cintura, ou seja, a medida obtida com uma vulgar fita métrica à volta da cintura ao nível do umbigo é também um bom indicador da gordura depositada nesta zona. É que esta é a gordura mais perigosa, a que vai interferir com o funcionamento de todos os orgãos abdominais. Para os homens um perímetro da cintura:
inferior a 94 - baixo risco;
entre 94 e 102 - risco moderado;
superior a 102 - risco elevado de desenvolvimento de doenças crónicas.
Para as mulheres, pela mesma ordem, os valores são: inferior a 80; entre 80 e 88 e superior a 88.
Se está dentro dos valores saudáveis, parabéns, se os números estão um pouco "escorregadios", o desafio é melhorá-los intervindo gradualmente na alimentação de forma a torná-la mais equilibrada e saudável.
Para ajudar deixo uma entrada de pão de alho que em vez de manteiga leva iogurte. Pareceu-me ver alguém fazer uma careta! Experimentem e as caretas vão transformar-se em sorrisos...
Pão de alho com iogurte:
2 iogurtes naturais, 4 dentes de alho, 1 colher de sopa de azeite, cerca de 10 pés de coentros ou salsa picadinhos, 4 cacetinhos pequenos ou um maior, fio de azeite.
A primeira tarefa tem de ser feita com alguma antecedência. Consiste em colocar dois iogurtes naturais num escorredor de rede sobre uma taça alta, tapar e deixar a escorrer, dentro do frigorífico, de um dia para o outro (cerca de 8 a 10 horas). O volume do iogurte vai diminuir para cerca de metade e vai ficar no fundo da taça um líquido amarelado, o soro do iogurte. Pode guardar o iogurte escorrido numa caixa fechada durante 2 a 3 dias no frigorífico.
Para preparar o pão de alho, comece por descascar os dentes de alho e fervê-los em água durante 5 minutos. Escorra e pique-os muito bem. Numa taça coloque os iogurtes escorridos, o azeite, os alhos e os coentros/salsa picadinhos. Pode colocar tudo na picadora e reduzir tudo de uma só vez a uma pasta homogénea.
Corte o pão em fatias com cerca de um dedo de espessura mas sem as separar completamente. Barre bem dos dois lados das fatias, coloque sobre papel de alumínio, regue com um fio de azeite e feche o papel de alumínio. Leve ao forno pré aquecido cerca de 20 minutos.
Melhor ainda é seguir os conselhos do Vasco Palmeirim e usar pão integral.
A Roda dos Alimentos, o nosso guia para a escolha alimentar diária recomenda que guloseimas e petiscos só em dias de festa. Estamos a referir-nos a bolos, chocolates, rebuçados e outras guloseimas, salgadinhos, gelados e refrigerantes. Todos estes alimentos nos agradam imenso, têm quantidades elevadas de hidratos de carbono e/ou gorduras que são os nutrientes que o nosso organismo transforma em energia. E como o nosso organismo necessita de energia e nem sempre teve à disposição a quantidade de alimentos que hoje tem, a seleção natural foi eliminando os gastadores de energia e foram resistindo e ficando os poupadores de energia. Em conclusão: estamos programados para gostar de açúcar e gorduras, somos descendentes dos "poupadinhos" e temos uma disponibilidade alimentar como nunca houve. Ainda falta acrescentar que nós, os "poupadinhos", estamos frequentemente "cansadinhos" e mexemo-nos muito pouco. O nosso organismo que levou tantos anos a ser poupado não vai desperdiçar nada e vai guardar na forma que tem para o fazer - tecido adiposo. Ou de facto merecemos a designação de animais racionais e reaprendemos a comer ou tudo isto não vai ter um "Happy End".
É obvio que os alimentos dos dias de festa fazem parte dos prazeres da vida e não nos devemos privar disso mas o conceito de "dia de festa" necessita ser ajustado. De uma forma geral, todas estas iguarias que nos fazem crescer água na boca, são trabalhosas e morosas por isso mais uma razão para só as confeccionarmos nas ocasiões especiais. O grande problema é que atualmente estão disponíveis em qualquer café, supermercado, restaurante, mercearia ou mesmo máquina de venda automática a preços muito acessíveis.
Portanto:
Regra nº 1 - Guloseimas e petiscos só em verdadeiros dias de festa;
Regra nº 2 - Sempre que possível confeccioná-los em casa e não os adquirir já preparados (vão ser seguramente mais saudáveis e vai ingeri-los muito menos vezes);
Regra nº 3 - Fazer uma caminhada a seguir ao repasto vai ajudar a gastar o que ingerimos e não precisávamos.
E como esta semana houve um "verdadeiro" dia de festa cá em casa, o tradicional Bolo de chocolate assinalou a data.
Bolo de chocolate:
meia chávena de cacau magro, 200ml de água a ferver, 300g de açúcar, 175g farinha, 3 colh chá fermento, 7 ovos, meia chávena de óleo alimentar, 4 gotas de sumo de limão, sal q.b.
Ligue o forno a 150ºC. Dissolver o cacau na água a ferver, reservar e deixar arrefecer. Numa tigela grande misturar a farinha com o açúcar, o fermento e uma pitada de sal. Abra uma covinha no centro e deite o óleo e as gemas. Mexa a partir do centro e acrescente a água com o cacau dissovido. Bata tudo muito bem até fazer bolhas. À parte bata as claras com o sumo de limão. Misture lentamente as claras com a massa envolvendo bem mas sem bater.
Deite a massa numa forma bastante grande com buraco no centro, não é necessário untar a forma. Pode colocar a massa numa forma retangular ou numa forma redonda sem buraco, neste caso coloque papel vegetal no fundo da forma.
Leve a cozer ao forno pré-aquecido durante 60 minutos. No final do tempo desligue o forno deixe mais 10 minutos, retire do forno e inverta sobre o prato de servir. Acabe de desenformar depois de frio com a ajuda de uma faca fininha.
Neste caso o bolo foi coberto com creme de chocolate e polvilhado com amêndoa ralada torrada.
Para acompanhar o bolo deixo o trailer de um filme espetacular: Charlie e a fábrica de chocolate. Se ainda não tiveram oportunidade de ver não percam, se já viram revejam.
Esta notícia do jornal on-line de hoje deixa-me apreensiva e de certa forma "chocada".
Uma medida desta natureza pareceria, à primeira vista, uma forma eficaz de zelar pela saúde dos dinamarqueses. Os alimentos com menos quantidade de gordura, mais económicos e acessíveis do que os alimentos muito ricos neste tipo de nutriente, seriam preferidos. Por outro lado esperar-se-ia uma resposta da indústria alimentar desenvolvendo novos produtos, com baixo teor de gordura saturada e com boa aceitação pelo consumidor. Mas, não chega legislar ou taxar, é necessário que as pessoas queiram comer de forma saudável. A última escolha é sempre de cada um de nós.
As gorduras são nutrientes essenciais. Precisamos de gorduras porque nos dão energia, são veículo de vitaminas lipossolúveis, protegem os nossos orgãos e ossos, são a nossa reserva de energia, funcionam como isolamento térmico e melhoram a sensação de saciedade e palatibilidade dos alimentos. Têm de ser consumidos em quantidades moderadas porque são muito energéticos e o nosso organismo não desperdiça nada, tem uma grande capacidade de armazenar na forma de tecido adiposo. As gorduras não são todas iguais. As gorduras saturadas, de origem animal são as menos saudáveis, as gorduras vegetais e as do peixe, as insaturadas, deverão ser as preferidas. Mas, mesmo as gorduras insaturadas quando sujeitas a aquecimentos intensos e prolongados transformam-se em gorduras prejudiciais.
Na prática, a escolha certa é restringir ao mínimo as gorduras saturadas (da carne), fazendo mais refeições de peixe em vez de carne e optando por gorduras vegetais com o mínimo de aquecimento possível. A gordura que melhor aguenta o aquecimento é o azeite, vejam bem a sorte que nós temos...
Se quiserem e só se quiserem porque isso é o essencial, deixo mais uma sugestão de um prato que pode ser de peixe ou carne.
Caril de peixe ou carne (a escolha é sua):
500 g de peixe ou carne, 1 banana, 1 maçã, 1 cebola, 2 dentes de alho, 1 pau de canela, 50 ml de azeite, 200 ml de natas (costumo usar natas com baixo teor de gordura), 1 molho de coentros, caril a gosto, gengibre fresco a gosto, sal q.b.
Aqueça o azeite num tacho e coloque a cebola e o alho finamente picados e o gengibre ralado (pedaço do tamanho de uma noz pequena). Refogue um pouco e adicione uma colher de chá generosa de caril e deixe refogar. Pode usar mais ou menos caril conforme o gosto e conforme use caril mais ou menos intenso. Entretanto descasque e corte a banana e a maçã em pequenos pedaços e junte ao caril. Tempere com um pouco de sal, junte as natas e a mesma quantidade de água. Deixe cozer cerca de 5 minutos com o lume baixo. Retire o tacho do lume e triture tudo com a varinha mágica. Adicione o pau de canela e o peixe ou carne. Leve novamente ao lume por mais 5 minutos. Se o molho estiver muito espesso, junte um pouco mais de água. Sirva polvilhado com coentros picados com arroz basmati cozido.
(receita do Chefe Henrique Sá Pessoa em Ingrediente Secreto)
Pode fazer com camarão ou outro peixe. Com frango também é uma boa opção pois é uma carne branca, com menos gordura. Se fizer com camarão pode comprar os camarões com casca, descascá-los e cozer as cabeças e as cascas, triturar, coar e usar este caldo em vez da água. Fica muito mais saboroso.
Não uso leite de coco por uma questão de gosto. Mas já agora, como não há regra sem exceção, o coco (um vegetal) tem cerca de 80% de gordura e é maioritariamente gordura saturada. As partidas que a natureza nos prega!
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